Frei Gilson é denunciado ao MPSP por falas contra gays e mulheres
Ex-noviço acusa religioso de discurso discriminatório em homilias, entrevistas e vídeos publicados nas redes sociais; defesa ainda não se manifestou
Daniel Xavier/Canção Nova O frei Gilson da Silva Pupo Azevedo, conhecido nacionalmente pelas transmissões religiosas na internet, foi denunciado ao Ministério Público de São Paulo (MPSP) por supostas falas discriminatórias contra pessoas LGBTQIAPN+ e mulheres. A denúncia foi protocolada pelo jornalista e escritor Brendo Silva, ex-noviço da Igreja Católica, segundo informações divulgadas pelo portal ‘Metrópoles’.
De acordo com o denunciante, o religioso teria utilizado em homilias, entrevistas e conteúdos publicados nas redes sociais expressões consideradas ofensivas e ultrapassadas ao tratar da homossexualidade, como o termo “homossexualismo”, além de associar relações homoafetivas a ideias de “desordem”, “contrariedade à lei natural” e “depravação grave”.
A denúncia também aponta falas consideradas machistas e contra mulheres, com discursos que, segundo Brendo Silva, reforçariam a submissão feminina e colocariam a mulher em posição secundária dentro da sociedade e das relações familiares.
Brendo Silva afirma que as declarações ultrapassam o campo da liberdade religiosa e podem incentivar preconceitos em um cenário já marcado por violência contra minorias.
“Liberdade religiosa não é liberdade para odiar. As homilias e entrevistas em que frei Gilson trata gays como doentes, ao utilizar termos ultrapassados, e associa a homossexualidade a ideias de desvio ou inferioridade, além de reforçar visões que colocam a mulher em posição secundária, não podem ser naturalizadas”, declarou o ex-noviço na denúncia.
Segundo ele, o contexto preocupa ainda mais diante dos índices de feminicídio e violência contra pessoas LGBTQIAPN+ registrados no país.
Falas repercutiram nas redes sociais
Na representação enviada ao Ministério Público, Brendo anexou trechos de vídeos em que o frei aparece falando sobre relações homoafetivas em tom firme durante pregações religiosas.
Em uma das falas citadas, o religioso afirma: “Se a tua igreja está falando que não pode homem com homem, não pode e acabou”.
O denunciante também disse que viveu por mais de dez anos no ambiente religioso, atuando como coroinha e noviço, e afirmou ter convivido com diversos religiosos homossexuais dentro da própria Igreja Católica.
“É preciso coerência e responsabilidade”, acrescentou Brendo, que também é autor de livros sobre a presença de padres gays na Igreja.
Até a publicação da reportagem, a defesa de frei Gilson não havia se manifestado oficialmente sobre o caso.
Quem é frei Gilson?
Com forte presença nas redes sociais, frei Gilson se tornou um dos religiosos católicos mais populares do Brasil nos últimos anos. Atualmente, ele reúne quase 13 milhões de seguidores no Instagram e mais de 9 milhões de inscritos no YouTube, onde realiza transmissões ao vivo de orações, músicas e pregações.
Natural de São Paulo, começou a tocar violão ainda na adolescência e ingressou na vida religiosa aos 18 anos. Em 2013, foi ordenado sacerdote e, no ano seguinte, assumiu a Paróquia Nossa Senhora do Carmo, em Santo Amaro, na zona sul da capital paulista.
O religioso também lidera o ministério musical “Som do Monte” e possui grande audiência nas plataformas digitais. No Spotify, soma mais de 1,8 milhão de ouvintes mensais.




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