Lula anuncia programa para renegociar dívidas com até 90% de desconto
Programa deve ser lançado na próxima semana e mira renegociação de débitos de milhões de brasileiros, com juros limitados e novas regras para participantes
Rodrigo Costa/Alesp O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou, em pronunciamento em rede nacional na noite desta quinta-feira (30/04/2026), um novo pacote de medidas voltadas ao endividamento das famílias brasileiras. A principal delas é o lançamento do ‘Novo Desenrola Brasil’, programa de renegociação de dívidas que promete descontos de até 90% e juros mais baixos.
A iniciativa será oficialmente lançada na próxima segunda-feira (04/05/2026) e deve abranger dívidas de cartão de crédito, cheque especial, crédito pessoal e também débitos ligados ao Fundo de Financiamento Estudantil (Fies).
Segundo o governo federal, os juros aplicados nas renegociações terão teto de 1,99% ao mês. Já os descontos devem variar entre 30% e 90%, dependendo do tipo e do tempo da dívida.
Saque do FGTS e restrições a apostas
Além da renegociação, o presidente anunciou uma medida que deve gerar impacto direto no bolso dos trabalhadores. Quem aderir ao programa poderá sacar até 20% do saldo do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para quitar dívidas.
Em contrapartida, haverá restrições. Participantes do ‘Novo Desenrola’ ficarão impedidos, por um período de um ano, de utilizar plataformas de apostas online, conhecidas como “bets”.
Durante o discurso, Lula criticou o impacto das apostas nas finanças familiares. “Não é justo que as mulheres tenham que trabalhar ainda mais para pagar as dívidas de jogo dos maridos”, afirmou. Ele também disse que o governo pretende impor limites ao crescimento dessas plataformas no país.
Outras medidas anunciadas
O pronunciamento também trouxe outros temas ligados ao mundo do trabalho. Lula destacou o envio ao Congresso Nacional de um projeto de lei que prevê a redução da jornada semanal para até 40 horas, sem redução salarial.
A proposta também sugere o fim da escala 6×1, modelo em que o trabalhador atua seis dias consecutivos e descansa apenas um. Caso aprovada, a mudança permitirá dois dias de descanso por semana.
Segundo o presidente, a medida pode melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores, especialmente das mulheres, que acumulam jornada profissional e responsabilidades domésticas.
Contexto econômico e impactos
Lula também comentou o cenário internacional, citando conflitos no Oriente Médio como fator de pressão sobre o preço do petróleo, o que afeta diretamente combustíveis e alimentos no Brasil.
De acordo com o governo, medidas como a retirada de impostos sobre combustíveis e ações para garantir o abastecimento foram adotadas para conter esses impactos.




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