Edson Sarti
Guardiões do Rio
Morro Agudo se mobiliza pela proteção do Rio Catas Altas!
Reunião Ordinária da AMAMA de 2026.A Associação de Moradores e Amigos do Morro Agudo (AMAMA) foi contemplada na chamada "Mata Atlântica Viva: apoiando soluções para conservação e regeneração 2026" com o projeto "Guardiões do Rio: Aprender com o Invasor e Replantar a Vida". A iniciativa tem como objetivo promover a recuperação ecológica de áreas degradadas de mata ciliar ao longo do Rio Catas Altas, localizado no Bairro Morro Agudo, município de Barra do Chapéu, cuja degradação está associada à expansão da espécie exótica invasora lírio-do-brejo (Hedychium coronarium).

Lírio-do-brejo (Hedychium coronarium), espécie exótica invasora amplamente distribuída em áreas úmidas do Brasil. Fonte: Minister2009 (2009), Wikimedia Commons, sob licença CC BY-SA 3.0.
A proposta fundamenta-se na integração entre manejo ecológico, restauração florestal e mobilização comunitária. Para isso, serão realizados mutirões de remoção controlada da espécie invasora, destinação adequada da biomassa para um sistema comunitário de compostagem, ações de reflorestamento e atividades contínuas de educação e formação ambiental. Entre os resultados esperados estão a recuperação de áreas prioritárias de mata ciliar, a redução da infestação do lírio-do-brejo, a melhoria das condições ecológicas do rio e o fortalecimento da governança ambiental local. Dessa forma, o projeto busca consolidar um modelo participativo e replicável de restauração ecológica, alinhado à conservação da biodiversidade e à valorização dos saberes tradicionais.Com o apoio do Fundo Casa Socioambiental, a AMAMA terá um período de um ano para a execução do projeto, com início em julho de 2026. A abertura oficial ocorrerá durante o "I ECOS – 1º Encontro Comunitário Socioambiental do Morro Agudo", que será realizado nos dias 25 e 26 de julho. O evento acontecerá no Barracão da Igreja Nossa Senhora da Imaculada Conceição, no Bairro Morro Agudo, e contará com palestras, atividades formativas, debates, homenagens, manifestações culturais e uma caminhada de reconhecimento territorial.

Logomarca do I ECOS. Fonte: Edson Sarti Wernek.
Entre os convidados do I ECOS estão Edson Sarti Wernek, presidente da AMAMA e também do Instituto de Conservação Ambiental do Morro Agudo (ICAMA); Rafael Barreiros Machado, colaborador da AMAMA e representante da associação junto ao Programa PSA Pró-Araucária, da Fundação Florestal; e o professor e pesquisador Marcelo dos Santos Silvério, presidente do Grupo de Espeleologia Laje Seca (GELS) e que atuou nas pesquisas, descobertas e mapeamento das cavernas do bairro Morro Agudo.
A programação terá início no dia 25 de julho, a partir das 13h, com credenciamento e atividades voltadas à conservação ambiental, ao patrimônio natural e à participação comunitária. No dia 26 de julho, os participantes poderão integrar a 1ª Caminhada ECOS, atividade de campo destinada ao reconhecimento dos patrimônios naturais do território e à formação de futuros Guardiões do Rio. A participação é gratuita, e as inscrições serão realizadas exclusivamente no local. Os participantes que assinarem a lista de presença poderão receber certificado emitido pela organização. Mais informações podem ser consultadas no site oficial do evento: I ECOS e no Instagram do projeto, @guardioes.do.rio.
Assim, uma comunidade historicamente esquecida pelo poder público, mas profundamente conectada ao território e à natureza, transformou o conhecimento local, a organização comunitária e o compromisso coletivo em uma inovação socioambiental. A partir da mobilização dos moradores, nasce uma iniciativa capaz de produzir impactos que ultrapassam os limites do bairro, pois, ao recuperar um rio, protege-se a biodiversidade, fortalece-se a Mata Atlântica e preservam-se as águas, os alimentos, o clima e a qualidade de vida de toda a população do Vale do Ribeira. Mais do que um projeto ambiental, os Guardiões do Rio provam que comunidades tradicionais não são apenas destinatárias de políticas assistencialistas ou objetos de pesquisa, mas protagonistas na produção de conhecimento e transformação da sociedade.

Rio Catas Altas. Fonte: Marli Aparecida Sarti de Lima.



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