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    Edson Sarti

    Cavernas inéditas descobertas no Bairro Morro Agudo

    Cavernas descobertas no Morro Agudo, Barra do Chapéu, têm nomes que homenageiam antigos moradores

    Edson Sarti Wernek
    Cavernas inéditas descobertas no Bairro Morro Agudo Uma das entradas da Gruta Capaúva.

    Seu Juca, Dona Jovita e Liliam Cristina Sarti. Nomes que, se forem mencionados a qualquer morador do Bairro Morro Agudo, em Barra do Chapéu, certamente serão seguidos de um “Conhecia, e muito!”. Afinal, Seu Juca e Dona Jovita foram alguns dos moradores mais antigos da localidade. Dos filhos aos bisnetos, marcaram profundamente a história de todos os que viveram no bairro. Liliam, por sua vez, era professora, mãe e amiga, dona de uma energia vital sem tamanho, autêntica e insubstituível, presença marcante em todos os eventos da comunidade, sempre ajudando e alegrando. Mulher símbolo de luz, acolhimento e alegria para todos que se aproximavam.

    Juca, nascido José Maria, era um homem alto, forte, discreto e de muita fé, que trabalhou incansavelmente por sua família durante toda a vida. Essa mesma vida lhe concedeu a graça de ter 11 filhos nascidos no bairro, além de inúmeros netos, bisnetos e agregados que o cercaram de carinho até o fim, junto de sua companheira de toda a vida, Jovita. Ela, senhora baixinha, doce e gentil, carregava um amor pelos seus e pelo próximo raro de se encontrar. Reunia a família em seus almoços e demonstrava afeto em cada gesto. Amava os outros, talvez, mais do que a si mesma, e fazia de tudo para servir com dedicação e ternura quem a procurasse.


    Gruta Juca-Jovita. Foto de Edson Sarti Wernek.

    Em julho de 2023, eu, Edson Sarti, fundador e presidente do Instituto de Conservação Ambiental do Morro Agudo, enquanto integrava o Grupo Pierre Martin de Espeleologia, junto ao colega e parente Alexandre Sarti, atual vice-presidente da Associação de Moradores e Amigos do Morro Agudo, buscamos uma área onde antigos moradores indicaram possíveis abrigos de rocha. Ao desbravarmos o espaço, encontramos três cavidades em granito, repletas de biodiversidade, que ainda não constavam no Cadastro Nacional de Cavernas, mantido pela Sociedade Brasileira de Espeleologia.

    No registro, as cavidades receberam os nomes: Gruta Capaúva (em referência àquela região do bairro) – SP-949; Gruta Cristina (em homenagem a Liliam) – SP-951; e Gruta Juca-Jovita (em homenagem aos moradores Juca e Jovita) – SP-950. Em janeiro de 2024, em parceria com o Grupo de Espeleologia Laje Seca, a Gruta Capaúva foi mapeada, e foram observadas pelo menos três espécies de morcegos residindo na cavidade, incluindo morcegos hematófagos.


    Morcegos hematófagos da espécie Desmodus rotundus da Gruta Capaúva. Foto de Edson Sarti Wernek.

    Essas descobertas representam mais do que simples achados geológicos: são expressões vivas da memória e identidade do nosso bairro. Nomes que homenageiam nossos moradores, parentes, amigos e o nosso passado, reforçam a conexão entre o patrimônio natural e o imaterial, preservando paisagens, histórias e afetos que moldaram a nossa comunidade. A união entre ciência, memória e pertencimento reafirma o valor da comunidade no cuidado e acesso ao seu patrimônio, tornando o Morro Agudo um exemplo de conservação participativa e respeito às raízes.

    Um beijo com muita saudade, vovó, vovô e titia. Daí de cima, nos ajudem a cuidar daqui de baixo! O mundo continua, a luta pelo bairro também. Seguiremos amando vocês…

    Liliam Cristina, Seu Juca e Dona Jovita, em memória.



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