Edson Sarti
Novas Cavernas para o PETAR
Importante grupo de espeleologia conquista edital para pesquisa no Núcleo Caboclos
Espeleológos do GELS na Caverna do Diabo (Eldorado, SP)Quantas surpresas o Parque Estadual Turístico do Alto Ribeira (PETAR) ainda pode nos apresentar? Situado entre os municípios de Iporanga e Apiaí, detentores da maior quantidade de cavernas por município no estado de São Paulo, segundo o Cadastro Nacional de Cavernas da Sociedade Brasileira de Espeleologia (SBE), esses territórios somam mais de 600 cavidades conhecidas, apresentando ao mundo um potencial impressionante, especialmente para o Parque, que, nessa área privilegiada, recebe turistas de diversas partes do planeta.
Dentro dessas possibilidades, o Grupo de Espeleologia Laje Seca (GELS), fundado em 1993, construiu uma trajetória marcada por trabalhos relevantes em estados como São Paulo, Bahia, Tocantins, Minas Gerais, Paraná, entre tantos outros pelo país. Ao longo de sua história, o grupo se consolidou pela atuação técnica contínua, pela formação de espeleólogos e pela participação em projetos cooperativos de grande relevância nacional. O GELS já atuou em cavernas reconhecidas internacionalmente, como a Caverna do Diabo e seus entornos, desenvolvendo atividades de mapeamento e prospecção no âmbito do PROCAD, além de participações em áreas como o Parque Estadual do Ibitipoca (MG) e, mais recentemente, na Serra da Chapadinha (BA), com a descoberta de 15 cavidades na região da Chapada Diamantina.

Membros do GELS no VIII EPELEO (1997), em Iporanga, com a presença de Guy Collet. Acervo interno do GELS.
O projeto intitulado Levantamento Espeleológico na região do Ribeirão do Farto – Núcleo Caboclos do Parque Estadual Turístico do Alto Ribeira (PETAR), SP, apresentado pelo GELS, foi contemplado para esse ano de 2026 pelo edital Ampliando Rotas, uma chamada pública lançada pela SBE, com o objetivo de fomentar a prospecção, exploração e o mapeamento de cavernas naturais subterrâneas no Brasil. O edital é voltado exclusivamente a grupos de espeleologia filiados à SBE e prioriza áreas consideradas estratégicas pelo Plano de Ação Nacional para a Conservação do Patrimônio Espeleológico Brasileiro, coordenado pelo ICMBio. Sendo este projeto realizado com recursos do Termo de Compromisso de Compensação Espeleológica (TCCE) nº 01/2022, firmado entre o ICMBio e a Vale S.A., com gestão operacional do IABS, no âmbito do projeto TCCE ICMBio/VALE: Compensação Espeleológica.
Por meio desse mecanismo, são destinados recursos financeiros para apoiar expedições de campo, levantamentos técnicos e o registro de novas cavidades, ampliando o conhecimento científico sobre regiões ainda subestimadas do ponto de vista espeleológico. Vale ressaltar que, no Núcleo Caboclos, estão cavernas já conhecidas e até famosas, como a Temimina, que ganhou destaque recente nas mídias sociais, especialmente pelo seu famoso “chuveiro”, um espeleotema raríssimo que se desenvolveu em seu interior.

Membros do GELS com Jair Looze para o trabalho na Gruta Looze localizada no PETAR. Acervo interno do GELS.
Além disso, o Núcleo Caboclos, geralmente acessado entre os municípios de Apiaí e Guapiara, foi o primeiro núcleo de visitação criado no PETAR. Mesmo assim, segue revelando seu potencial, podendo surpreender com cavernas inéditas para a ciência e para o mundo. São descobertas que, felizmente, vêm sendo realizadas por boas mãos, capacetes e lanternas: equipes preparadas, experientes e agora também incentivadas pelo investimento necessário e merecido, para profissionais que sempre desempenharam sua função sem receber um real.

Membro do GELS em prospecção na Gruta Looze, PETAR. Acervo interno do GELS.
A espeleologia é uma ciência quase que 100% voluntária. Ao buscar uma nova caverna, deslocamento, alimentação, equipamentos e outros gastos são, na maioria das vezes, divididos pelos espeleólogos da equipe, que, além de uma vida profissional durante a semana, dedicam o tempo que sobra a registrar, mapear e salvar cavernas desconhecidas ao redor do mundo. Felicidades ao Grupo de Espeleologia Laje Seca na descoberta de novas cavidades para o nosso PETAR, para o nosso povo e para o nosso território. Encontrar cavernas é encontrar a nós mesmos, o nosso passado e, com certeza, o nosso futuro.

Logotipo do GELS. Acervo interno do GELS.
Esta matéria possui caráter informativo e jornalístico, não representando posicionamento institucional da Sociedade Brasileira de Espeleologia (SBE), do ICMBio, do IABS ou da Vale S.A.




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