• VALE DO RIBEIRA, 03/04/2026
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    Edson Sarti

    O Vale Alimenta o Povo e as Abelhas

    Agroflorestas do Vale do Ribeira se tornam refúgios de biodiversidade

    André Cherri/WRI Brasil — CC BY-NC-SA 2.0. Link: https://www.flickr.com/photos/wricidades/53664935428
    O Vale Alimenta o Povo e as Abelhas Cacho de juçara da Mata Atlântica.

    O Vale do Ribeira ensina ao mundo como tratar os ecossistemas naturais e ainda assim produzir comida. A pesquisa intitulada "Agrobiodiversidade e oferta de recursos aos polinizadores nas agroflorestas da região do Vale do Ribeira, São Paulo", dos pesquisadores Bruna S. Gemin, Miguel L. M. Freitas e Francisca A. M. Silva, publicada em agosto de 2025 e com o levantamento de dados feito em 2024 em 9 municípios do Vale, trabalhou com 20 agricultores familiares e identificou quase 350 espécies e variedades de plantas manejadas em sistemas agroflorestais (SAF's).


    Agricultoras familiares em sistema agroecológico. Imagem: Freepik.

    A criação de abelhas, nativas ou não, nos SAF's do Vale do Ribeira impulsionou o plantio de uma diversidade maior de espécies nos terrenos, com propriedades chegando a plantar mais de 90 espécies num mesmo sistema, o que potencializa a sua produção local. Dentre as quase 350 espécies encontradas, mais de 70% eram plantas melíferas, ou seja, que produzem néctar e pólen, confirmando a qualidade desse "pasto" para as abelhas.

    Além disso, 159 espécies encontradas eram nativas do Brasil e 13 exclusivas da Mata Atlântica. A banana foi encontrada em todas as propriedades entrevistadas, seguida da goiaba (90%), juçara e mandioca (80%) e jabuticaba (75%), sendo a presença de banana e juçara uma combinação tradicional, com a bananeira oferecendo sombra para que a juçara possa se desenvolver.


    Abelha jataí (Tetragonisca angustula). Foto: Carlos Eduardo Joos — CC BY 2.0. Disponível em: https://www.flickr.com/photos/joos-gallery/51826346548

    Entretanto, a pesquisa identificou um período crítico em flores para as abelhas, nos meses de abril e maio, colocando-as em risco de fome, sendo indicado o plantio de espécies como nabo-forrageiro, cosmos, astrapeia, feijão-guandu, assa-peixe, margaridão e amor-agarradinho para oferecer flores nesse período. A prova de que, apesar de altos e baixos, esse sistema produtivo alimenta as abelhas e as pessoas, como por exemplo, no plantio de abóbora integrado à criação de abelhas nativas de um dos proprietários, que gerou cerca de uma tonelada de variedades de abóbora e, pelo excedente, foi comercializada ao Programa de Aquisição de Alimentos, traduzindo segurança alimentar e financeira para a comunidade e os municípios.

    No recorte social, a média dos homens entrevistados está em 65,5 anos, já a das mulheres, em 49,5, havendo baixa participação juvenil, o que nos faz pensar no futuro das agroflorestas em nosso território. Ao todo, 40% possuem apenas o ensino fundamental e 10% não possuem escolaridade formal. Além disso, 7 das 8 mulheres agrofloresteiras disseram depender totalmente do SAF para alimentar a sua família.


    Colheita agroecológica. Foto: Tay Nascimento, créditos Marina Villarinho — CC BY 2.0. Original: https://www.flickr.com/photos/tay/5116851550.

    A comida do nosso chão dá de comer a pessoas, a abelhas, à Mata Atlântica. Preserva a juçara, a saúde e a possibilidade de renda. Reduz a dependência de agrotóxicos, contribui para a resiliência ambiental diante das mudanças climáticas e mostra que há viabilidade em conservar a natureza afirmando a nossa presença cheia de vida nela. O dito "desenvolvimento" que não chega ao Vale, já chegou! Nós o fazemos diariamente. Somos nós, na ânsia de permanecer de pé, que manteremos o Vale do Ribeira e tudo o que nele habita vivo!

    Morador do Vale: cuide de tudo, que tudo é teu.



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